sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Relato dos Relacionamentos de Júlio com suas Várias Amantes

ou

Porque se Apaixonar Faz Bem

Porque Júlio era sim o tipo de cara que se apaixonava fácil. Não era o tipo bonito, mas tinha seus charmes, e paixão – coisa que não lhe faltava para nada.

Se apaixonava por tudo: livros, filmes, lugares, era um apaixonado pela vida. Mas, especialmente, se apaixonava por mulheres.

Julinho (como os amigos o chamavam) não era uma pessoa fácil de se conviver. Chefe do departamento de impressa de um sindicato, tinha freqüentes crises de humor, e ninguém gostava de estar por perto quando ele estava mal-humorado.

Mas mesmo com defeitos, Julinho tinha suas várias qualidades, que acabaram chamando a atenção da mulher que viria a ser sua primeira esposa – e cujo nome não me recordo agora. Deste primeiro casamento, Julinho teve duas filhas: Ana Lua e Ana Terra, por quem ele também era incrivelmente apaixonado. Mas como homem que era, não conseguia deixar de se apaixonar. Sua mulher, cansada de suas fugas noturnas, pediu divórcio.

Julinho não se abalou. Era jovem e tinha muito o que viver, e muitas pessoas por quem se apaixonar.

Nessas aventuras amorosas, ele acabou conhecendo mais uma mulher – cujo nome também não me recordo (e peço desculpas, mas sempre tive memório fraca para nomes) – que se tornou sua segunda esposa e com a qual teve outro filho, de nome Júlio Sol.

Esta mulher trabalhava numa cidade próxima, e acabou fixando lá sua moradia por motivos de praticidade. Todo final de semana, Júlio pegava o carro e i para a casa de sua mulher. Um dia, depois de voltar dessa cidade para casa, Júlio contou aos amigos que sua mulher havia dito que se apaixonara por outra pessoa e pedia divórcio. Os amigos, preocupados, perguntaram como eles estava, ao que Júlio, com sua vivacidade de sempre, respondeu:

- Eu ‘tô mal, ‘tô arrasado, mas eu disse pra ela: “Você se apaixonou, meu, isso é lindo! Tem mais que se apaixonar mesmo! Se apaixonar e viver! Vai lá viver!”.

Sua ex-esposa casou-se com o homem por quem se apaixonara, e Júlio se apaixonou muitas outras vezes. No dia do seu enterro, o padre leu para todos os presentes a frase da Bíblia que resumia Júlio com todas as letras:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”

Porque se apaixonar faz bem.

Um comentário:

Yolanda disse...

Torno a repetir. Você escreve muito bem e compreende o ser humano muito bem também. Olhe um pouco para você mesma que você irá encontrar o quanto humana você é e quanto o mesmo "bom" da vida que você consegue captar exteriormente, vocÊ tem dentro de você. Você é ligada a arte. Cinema, teatro, literatura, música e outras "cositas mais". A arte nasceu com você como seu sangue, seu coração e personalidade. Uma pergunta? - VocÊ conseguirá viver em uma fase adulta sem trabalhar com arte? Conselho do dia: Confie mais em você. Bjs