quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Irrealidade paralela

E a cada dia que passa dói mais...Não importa o quanto você ignore, certas coisas jamais serão, de fato, passadas para trás. A indiferença e a falta de arrependimento me incomodam, ao mesmo tempo que aliviam. Bastam alguns segundos de distração e lá estou eu de novo. Me torturando. Me culpando por coisas que não deveriam ser condenáveis. Coisas que, pra mim, são comuns, normais. Nada de mais. Vem me dizer agora que você também não era assim? Que no seu tempo as coisas eram diferentes? Quem foi mesmo que inventou essa droga de código de ética da nossa sociedade? Me faça um favor, ok? Se você um dia encontrar essa criatura, mande-lhe um recado em meu nome: 'Vá pra puta que o pariu!'
Não adianta. A situação já tornou-se insustentável. E é por isso que eu fujo. Fujo sim! Fujo de você, dos meus pensamentos, da minha culpa e de tudo aquilo que meu inconsciente faz questão de não esquecer por um segundo sequer. Fujo. Pra um lugar onde só existo eu, e mais ninguém. E lá, minha cama é minha casa. Meu travesseiro, o melhor amigo...Onde só eu acho e desacho. Onde a MINHA opinião é que vale. Um lugar só meu! Pode até parecer egoísmo, mas arrisco dizer que esse seria o meu lugar preferido. Só existe um defeito nesse lugar. A inexistência do próprio. A irrealidade de tudo o que deveria ser real, e a realidade inexistente. Acordo e só então eu percebo. 'Por que mesmo tive que abrir os olhos?'

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