segunda-feira, 16 de abril de 2007
Aventuras desbravadoras de uma tarde odontológica!
"Hoje vai ser um desgaste nos inferiores afastados e retirar o arco lingual Dr." Eis então que estou eu, deitada ali, na cadeira azul cheirando a consultório, com a boca escancarada com metais e mais metais dentro. Tudo bem, a capacidade humana de se adaptar as mais estranhas formas de se resolver problemas é incrível. Existe algo mais comum do que uma pessoa com aparelho nos dentes?! Algo extremamente doloroso, mas eficiente. E lá estava eu, prestes a passar pela primeira vez por tal experiência, me sentindo feliz, por saber que meus dentes estarão, dentro de dois anos e meio, corretamente posicionados! De repente um súbito gosto amargo e uma dor indescritível invadem meus pensamentos felizes. "Dói né?". Como se fosse preciso responder. Como se o nariz torcido e a cara feia não fossem suficientes. Fechei os olhos, afinal o que os olhos não vem o coração não sente [se bem que depois de hoje não tenho mais tanta certeza assim quanto à esse ditado...]. Sorvete de chocolate, vamos Fernanda, pense num delicioso pote de sorvete de chocolate, com uma deliciosa cobertura de caramelo...Hummm...Eis que o sabor amargo que me fazia conseguir faces jamais vistas vem à tona novamente. "Só mais um pouquinho, aguenta firme!". A boca seca se misturava a água que ainda estou tentando entender o porquê escorria pelo meu pescoço e me molhava a camiseta do uniforme. As gotículas respingavam nos óculos sobre seus olhos cor de mel e embaçavam-me a vista. Novamente desisti de enxergar. Desliguei-me daquele espaço e viajei por tantos outros enquanto estava ali, senti como se tivesse mesmo dormido, mesmo estando acordada. Sonhei. Despertei sentindo, novamente, uma dor inigualável, desta vez devido a tamanha pressão sobre os meus pequenos dentes. Mais alguns instantes e pronto, tudo terminado! Finalmente! Agora sobraram apenas as doses de Novalgina a cada seis horas para suportas tudo isso. Levantei da cadeira ligeiramente zonza e fui marcar novo horário com a recepcionista. "Não se preocupa querida, mês que vem a gente faz os de cima e pronto!". Tudo isso com o propósito de não sentir dor de dente aos 50 anos. Puxa! Que sorte a minha não acham?
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